Mulheres, jovens e classe C são os maiores entrantes na corrida, mas treinam pouco

Atletas participam de treino de corrida no centro de São Paulo (Esportividade)
O boom da corrida de rua parece longe de uma saturação e, mesmo com gente saindo do esporte, há um número ainda maior de entrantes. Mais de dois milhões de pessoas no Brasil em 2025 se tornaram corredoras, e boa parte desse resultado aconteceu por causa da entrada de mulheres, de jovens e da classe C na modalidade. Estima-se que, hoje em dia, existam 15 milhões de praticantes no país, 2 milhões a mais que em 2024.
É o que diz a segunda edição do estudo “Por dentro do Corre”, produzido pela Olympikus e pela consultoria de negócios Box1824, lançado no dia 29 de janeiro de 2026, quinta-feira, em um evento na sede do Cubo Itaú, na zona oeste São Paulo.

Girl Power, corrida feminina, ocupando avenida Rubem Berta (Esportividade)
Um salto de 42% para 50% na participação feminina de um ano para o outro revela que elas estão mais ativas. Os números combinam com os dados divulgados no início do ano pela Ticket Sports, maior plataforma de venda de inscrições do país, que aponta um retorno das mulheres como maioria (52,4%) nos eventos esportivos. A participação de jovens, entre 18 e 24 anos, também cresceu, chegando a 20%, além da classe C – que passou de 36% para 43% em 2025.
Apesar dos números promissores, os dados acenderam um alerta sobre a qualidade dos treinos e das provas realizados. O estudo mostra que os atletas têm corrido até distâncias maiores – em 2024 a média semanal era de 9,2 km; em 2025, passou a ser de 10,6 km. E os novatos têm bastante relação com isso.
O que encolheu, porém, foi a frequência de treinos, que de 3,4 treinos por semana caiu para 1,8. Na prática, os atletas estão treinando menos e correndo mais, tornando todo treino bastante desgastante.

Treino gratuito no centro histórico com clube de corrida Running Gang (Esportividade)
Uma das respostas para essa discrepância entre quantidade e qualidade o “Por dentro do Corre” conseguiu dos próprios participantes do estudo, que afirmaram que a falta de tempo e a de segurança para treinar em certos locais foram as maiores barreiras para uma rotina mais equilibrada e saudável. Os grupos de corrida, também chamados de crews, têm papel fundamental na viabilização de treinos de corrida.
Veja vídeo de treinos gratuitos com alguns clubes de corrida em São Paulo
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Ainda que a balança não esteja completamente equilibrada, o estudo apontou ainda que, para 81% dos entrevistados, a corrida fará parte da vida deles nos próximos anos, podendo, inclusive, ajustar a rota para uma atividade benéfica e financeiramente viável, uma vez que corrida não é apenas prova.
De olho nessa fatia do mercado, Márcio Callage, diretor de marketing na Vulcabras, empresa proprietária da Olympikus, afirmou durante o evento de lançamento que a marca pretende lançar uma linha de tênis mais em conta.
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