Corrida de rua continua a crescer no Brasil em 2026, mas com ‘pace’ mais alto

Últimos metros da 100ª Corrida de São Silvestre na avenida Paulista (Esportividade)
A corrida de rua continuará em alta em 2026, mas com crescimento menor que o de 2025; e os organizadores estão cada vez mais cientes da necessidade de regularização dos eventos da modalidade, porém ainda há um longo caminho pela frente. Ao assistir a palestras do 4º Summit Abraceo/CBAt, realizado na Mercado Livre Arena Pacaembu em 20 e 21 de janeiro de 2026, foi possível chegar a essas conclusões.
Quem apresentou os principais números gerais do mercado na temporada anterior e fez projeções para 2026 foi Daniel Krutman, CEO do Ticket Sports. Segundo ele, em 2025, foram realizados 11.706 eventos de modalidades como corrida, triatlo, natação e ciclismo, superando a previsão inicial de 11.250.
Enquanto se previa um crescimento de 25% em 2025 – em comparação com 2024 –, agora se estima um aumento de 15% para 2026. No ano passado, corrida de rua representou 89,9% dos eventos com inscrições à venda por meio do site Ticket Sports (e 75,3% da receita, uma vez que inscrições para eventos de triatlo, por exemplo, são mais caras). O tíquete médio dos eventos de modalidades participativas com inscrições abertas no TS foi de R$ 125,53.

Corrida Mulher-Maravilha em São Paulo (Fotop)
O percentual mais significativo de 2025 foi o retorno das mulheres como maioria de participantes: 52,4%, praticamente voltando ao índice de 2018 – a pandemia de covid-19 fez, por alguns anos, este ser inferior a 50%. E houve um ligeiro rejuvenescimento dos participantes: a média de idade agora é de 38 anos, um ano a menos que a anterior.
E os eventos de corrida com permit – autorização dada pelas federações estaduais ou pela CBAt para a realização das provas exigida pelo Código de Trânsito Brasileiro e, desde 2023, pela Lei Geral do Esporte – estão em forte ascensão. Foram 5.241 corridas realizadas assim em 2025, contra 2.827 em 2024, um aumento de cerca de 85%. No estado de São Paulo, esse número saltou de 734 para 1.311. No Brasil, aproximadamente metade dos eventos ainda não conta com permit, porém.

Daniel Krutman faz apresentação no Summit da Abraceo (Fotop/Divulgação)
Daniel Krutman disse que 15% dos organizadores detêm 80% do volume total de inscrições e que os participantes agora estão mais exigentes que na década passada. “O aumento de preços não está ligado só à inflação. Ele reflete custos operacionais mais altos, estruturas mais complexas, maior exigência do público e limites claros de escala”, afirmou.
De acordo com Daniel Krutman, as empresas brasileiras do segmento ainda não conseguem deixar muito claro aos atletas que o que elas vendem são (principalmente) experiências, e não produtos, como camisetas e medalhas. Ele compartilhou com a plateia do Summit Abraceo/CBA de 2026 esta informação: 81,4% dos que responderam a uma pesquisa do Ticket Sports disseram que o kit é um fator de decisão de compra de inscrição. Em outros países, a importância do kit é bem menor que a dada pelos brasileiros.
O executivo acrescentou: “Quando o ritmo desacelera, não é uma empresa ou um organizador específico que cresce menos. É o mercado como um todo entrando em um novo estágio do ciclo”.
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