São Paulo - região metropolitana
Corrida de rua 08/01/2026

O que deu certo e o que deu errado na 100ª Corrida de São Silvestre, a de 2025

Por Andrei Spinassé e Renata Sá, editores do Esportividade

Corrida de São Silvestre, a mais tradicional do Brasil (Esportividade)

A histórica centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre, ocorrida em 31 de dezembro de 2025, foi o maior evento de corrida de rua de distância única (neste caso, 15 km) já realizado no Brasil. O desafio de organizar uma prova desse tamanho, para 55 mil inscritos – mais de 53 mil participantes nas ruas de São Paulo –, foi bem-sucedido por um lado e malsucedido por outro. Eis um balanço da corrida centenária.

Assista ao vídeo curto e saiba como foi a 100ª São Silvestre para nós:

O que deu certo

Participantes correm em direção ao túnel no fim da avenida Paulista (Esportividade)

O começo de prova costumava ser o ponto fraco da São Silvestre, uma vez que havia congestionamento nos primeiros quilômetros, atrasando quem gostaria de desenvolver um bom ritmo logo no início. Em 2024, a Vega Sports, ao assumir a organização do evento, introduziu a largada em ondas, antiga reinvindicação dos corredores. E, em 2025, o maior acerto dos organizadores foi justamente o que, até então, era o “calcanhar de Aquiles”.

Entrada de túnel na São Silvestre: bem menos congestionada em 2025 (Esportividade)

A introdução de um novo procedimento de largada, com cada lado (“par” e “ímpar”) da avenida Paulista largando de uma vez, fez toda a diferença. Até 2024, os corredores, distribuídos em oito faixas, precisavam se ajustar a quatro para entrar no túnel; em 2025, com alternância entre os lados, os participantes o acessaram sem o “fenômeno do funil”. Os amadores largaram, então, em sete blocos, um do pelotão premium e seis do geral, com minutos de intervalo entre eles.

Contagem regressiva para a 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre (Esportividade)

Também foi bem-sucedido o “esquenta”, isto é, o período pré-100ª São Silvestre. A Fundação Cásper Líbero, entidade detentora dos direitos do evento, instalou, a cem dias dele, um pórtico na entrada do edifício dela, na avenida Paulista, 900, com contagem regressiva eletrônica. Em outubro de 2025, uma exposição ao ar livre: foram colocadas fotos históricas da prova em postes do canteiro central – ciclovia – da via mais famosa de São Paulo.

Assista ao nosso vídeo imaginando como seria correr na São Silvestre à noite:

Em 30 de novembro, a ASICS apresentou ao público a camiseta que os participantes receberiam na Expo São Silvestre. Além disso, assim como em 2024, a marca japonesa preparou uma coleção comemorativa de vestuário – algumas peças com personagens, como o “Brigadeiro”, criados especificamente para a centenária corrida.

“Brigadeiro”: ASICS motiva corredores na avenida Brigadeiro Luís Antônio (Esportividade)

A grande novidade de 2025 foram os tênis, ASICS Novablast 5 e ASICS Versablast 4, com cores especiais e logotipo da prova. E, a exemplo de 2024, a ASICS promoveu treinos gratuitos de corrida mesmo para não inscritos na 100ª São Silvestre.

Subida da avenida Brigadeiro Luís Antônio durante a São Silvestre: que animação! (Esportividade)

Quanto à experiência de corrida no dia 31 de dezembro de 2025, há de se dizer que foi positiva para a maioria dos participantes. Depois da largada, transformada em “balada” por um DJ, a prova transcorreu normalmente para uma boa parcela dos corredores. A maior parte deles não sentiu falta de água – embora o líquido não estivesse gelado em diversos pontos de hidratação –, obteve medalha ao fim dos 15 km e ganhou um picolé da Bacio di Latte.

Mas não foi assim para todo mundo.

O que deu errado

Rua Maria Paula x avenida Brigadeiro Luís Antônio (Esportividade)

Dia 25 de setembro de 2025, uma quinta-feira marcante, pois nela foram abertas as inscrições para a centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre. Na verdade, a venda direta foi problemática: o site escolhido pelos organizadores, o Ticket Sports, não deu conta “do recado” e da altíssima demanda. Em “Inscrições para 100ª São Silvestre esgotam-se após relatos de dificuldade“, contamos o que houve.

Em uma tentativa de reparação – ainda que não houvesse como mitigar as reclamações –, 5 mil vagas foram acrescentadas ao evento, totalizando 55 mil, sendo preenchidas por meio de sorteio. A conclusão que se chega é que desde o começo o preenchimento das vagas deveria ter sido feito assim. A Maratona do Rio o fez para 2026, aliás.

Expo São Silvestre de 2025 no Pacubra (Esportividade)

Como o pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, estava ocupado pela própria Bienal de São Paulo, a Expo São Silvestre deu-se no Pacubra, Pavilhão das Culturas Brasileiras, no mesmo parque. Não se mostrou o melhor lugar para isso, porém, especialmente durante o verão.

E foi lá que houve a primeira falta, a de camisetas, em 30 de dezembro de 2025, último dia da entrega de kits. Participantes que foram retirar à tarde seu material de corrida voltaram para casa ou para o hotel sem a camiseta da prova. Na mesma terça-feira (30/12), a Vega Sports e a Fundação Cásper Líbero disseram: “Os organizadores asseguram, ainda, que todos os inscritos que não foram contemplados com a camiseta a receberão ao longo do mês de janeiro – após o devido contato para confirmação de dados para o envio”.

Últimos metros da 100ª Corrida de São Silvestre na avenida Paulista (Esportividade)

No dia seguinte, 31 de dezembro, a tão guardada quarta-feira da centésima edição, mais faltas: a de água, devido a uma reposição insuficiente em alguns pontos – sentida por pessoas que largaram no último pelotão –, e a de medalha – também afetando participantes do Vermelho ímpar.

Os organizadores do evento também afirmaram que até o fim de janeiro de 2026 enviarão em domicílio as medalhas faltantes. E, em um comunicado, eles disseram lamentar “que a experiência de uma parcela pequena, porém absolutamente importante, da São Silvestre não tenha sido completa; e gostariam de pedir a esse contingente específico, de menos de 2% do total de participantes, suas mais sinceras desculpas”.

Assim como em 2016, quando, com a Yescom como parceira da FCL na ocasião, faltou água para parte dos participantes, a “ação infame” de “pipocas” (pessoas que participam do evento sem estarem devidamente inscritas) foi mencionada pelos organizadores da 100ª edição. É certo que pessoas falsificaram números de peito. Denúncias podem ser feitas pelo número (11) 9-1345‑9749 ou pelo e-mail [email protected].

Uma novidade de 2025 nada agradável: são apurados possíveis furtos e desvios de material por parte de terceirizados contratados.

Também faltou controle. A presença de “pipocas” não é inédita – longe disso –, mas os organizadores da São Silvestre não introduziram novas medidas que impedissem fraudadores de obter medalha. Não se mostrou suficiente destacar o “vale-medalha” no número de peito. Deveria ter havido redundância, ou seja, mais de um jeito de conferir se a pessoa estava devidamente inscrita – uso de pistola eletrônica para identificação de chip, por exemplo. Também deveria ter sido assim, com maior conferência de dados e documentos, na entrega de kits.

Por causa do histórico (nada bom) dos “pipocas” na São Silvestre, mais medalhas e camisetas deveriam ter sido produzidas antes do evento – mesmo que sobrassem. Estão sendo depois dele. Tarde demais.

Fotos avulsas de 2025: clique aqui e encontre as suas.

Resultados de 2025: clique aqui e veja o seu.

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Comentários


  • Raimundo aparecido disse:

    Bom dia minha indignação na inscrição que foi através de sorteio deixando vários atletas de fora e tiveram dificuldade de fazer a inscrição por falta de patrocínio pois a organização divulgar o valor da inscrição em cima da hora na tendo o tempo de conseguir patrocínio e também a dificuldade ser sorteado se as inscrições fosse com antiga seria mais fácil achar na minha opinião que a divulgação da corrida seria melhor divulgar o valor antes de dezembro para que o atletas teria tempo de conseguir o valor da inscrição e do gasto com hotel e alimentação e outros coisas no dia do evento mostra nas redes sociais todos os participantes que estão participando do evento o que não foi feito serão oportunidades só para elite sendo que fazer o evento são o povão bom dia

  • Roberto Lopes Diniz disse:

    Quero minha camisa e minha medalha 🏅 🏅

  • Fabio Goncalves disse:

    Concordo com os pontos positvos e negativos apresentados. Gostaria de acrescentar um ponto fraco: a organização da chegada e saída pelo metrô. Muita confusão na saída das estações, com funcionários fechando acessos e uma multidão desorientada na plataforma. Ao sair da estação, havia bloqueios impedindo o acesso direto à avenida Paulista e não havia sinalização das rotas para acesso aos pontos de largada. Foi necessário dar volta nos quarteirões e advinhar onde seria a entrada do seu pelotão. Na hora de ir embora, também muito confuso o acesso à estações. Muitos bloqueios impedindo o acesso à estação Trianon e Brigadeiro. Eram tantos bloqueios que me senti preso num labirinto. Havia notícias de que a estação Consolação estava fechada, mas não foi conferir. Seria importante colocar placas indicando as rotas para os pelotões de largada e para os metrôs na saída. Fiquei confuso mesmo eu sendo paulistano e conhecendo bem a Av. Paulista; imagino o que passaram os visitantes de outras cidades e países.

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