A tecnologia e as corridas: como os aparatos têm mudado o esporte a motor

Carro de corrida automobilística percorre pista (Freepik/Imagem feita por IA)
As corridas automobilísticas sempre estiveram intimamente ligadas ao avanço tecnológico – além de servirem como base para a indústria automotiva como um todo, o esporte servia, e ainda serve, como referência para outras áreas.
Na Alemanha no período entreguerras, por exemplo, quando a indústria militar não podia ser explorada, as descobertas da área automotiva foram também utilizadas na aeronáutica.
Outro exemplo é o dos próprios cronômetros, cuja precisão alcançava os centésimos de segundos já em 1902, quando tudo ainda era muito mecânico. De lá para cá, a tecnologia evoluiu e as medidas de tempo passaram a ser muito mais precisas.
A inovação dita rumos
Um dos setores que mais se beneficiaram – e também investiram em tecnologia – foi o esporte a motor, e a Fórmula 1 é indiscutivelmente a categoria mais conhecida no mundo.
Os aparatos eletrônicos começaram a aparecer na Fórmula 1 nos anos 1980. Já no começo da década de 1990 tomou proporções cada vez maiores – a ponto da discussão ser o quanto isso acabaria diminuindo a capacidade dos pilotos.
Com o avanço e a implementação da tecnologia no esporte, tudo é quantificado e medido com precisão, e esses dados são analisados e explorados em várias áreas. No mercado das apostas esportivas, são usados pelas melhores casas de apostas do mundo para estabelecer probabilidades ainda mais precisas – no sentido de prever qualquer desfecho com maior exatidão.
Qual é o limite entre o homem e a máquina?
Essa é uma discussão válida, já que é possível imaginar uma categoria sem piloto algum, apenas com computadores decidindo o que fazer. Por outro lado, esse tipo de corrida prejudicaria a lógica esportiva, uma vez que as apostas não seriam mais em pilotos, mas em máquinas.
Parte dos apostadores acaba nem considerando as corridas automobilísticas como modalidade esportiva, já que o piloto depende muito do carro – e geralmente quem tem o melhor carro vence. Esse é um pensamento válido, mas o fato de termos pilotos que se destacam em suas funções permite dizer que se trata de uma modalidade esportiva.
Retomando ao início dos anos 1990, a discussão já era sobre a dependência dos aparatos tecnológicos, como o controle de tração, que já facilitavam o trabalho dos pilotos e começavam a ser cada vez mais utilizados.
Quando a tecnologia é banida
Na época do acidente fatal do brasileiro Ayrton Senna, piloto da equipe Williams, o uso dos aparatos tecnológicos já vinha sendo questionado. A própria FIA (Federação Internacional do Automóvel) havia proibido uma série deles para 1994.
Com essa proibição, a equipe de Senna demorou para se adaptar, resultando em um carro que ficou mais imprevisível e difícil de ser guiado. Mesmo que isso não estivesse diretamente ligado ao trágico acidente, certamente também não ajudou muito.
Para a temporada 1994, foram banidos controles de tração, sistemas como freio ABS e de suspensão ativa, além de softwares de controle de largada.
Mais recentemente, câmeras térmicas passaram a mostrar, em tempo real, como os pneus de cada equipe se comportavam. Rapidamente a FIA notou o equívoco em divulgar tal informação, e essas transmissões foram encerradas.
O uso da tecnologia atualmente
Hoje em dia é quase impossível não falar sobre os aparatos tecnológicos para melhorar até mesmo performances esportivas. E o esporte a motor não escaparia disso.
Com o avanço da inteligência artificial, fica até mais barato coletar dados dos computadores dos carros para fazer as análises do que investir em testes reais (isso sem contar os riscos inerentes ao realizá-los, como a possibilidade de bater o carro).
Até mesmo a FIA faz uso de tecnologia para revisar os acontecimentos com maior acuracidade. Isso só nos mostra como, agora, é mesmo um caminho sem volta.
O WEC, a Fórmula E e o futuro
Outras categorias, como o WEC, o Campeonato Mundial de Endurance, e a Fórmula E chegaram mais longe. Especialmente a F-E, que, até a temporada 2021/2022, dava a certos pilotos uma propulsão elétrica extra, e a escolha de quem teria esse benefício em uma prova era feita por meio de votação online da qual participavam espectadores de todo o mundo. Depois do fim do Fanboost, a categoria introduziu o Attack Mode, e para ativá-lo o piloto pressiona um botão e passa por uma zona de ataque na pista. Parece videogame, não parece?
Diante disso, é inegável que o papel da tecnologia – até mesmo no esporte automobilístico – ficará cada vez maior e mais importante. Mas cabe aos organizadores definir quais serão os limites para que isso não diminua o papel humano no esporte.